10 abril, 2009

A Mensagem nº 69 de 12 de Abril de 2009


EVANGELHO – Jo 20,1-9

No primeiro dia da semana,Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcroe viu a pedra retirada do sepulcro.Correu então e foi ter com Simão Pedroe com o discípulo predilecto de Jesuse disse-lhes:«Levaram o Senhor do sepulcroe não sabemos onde O puseram».Pedro partiu com o outro discípuloe foram ambos ao sepulcro.Corriam os dois juntos,mas o outro discípulo antecipou-se,correndo mais depressa do que Pedro,e chegou primeiro ao sepulcro.Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou.Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira.Entrou no sepulcroe viu as ligaduras no chãoe o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus,não com as ligaduras, mas enrolado à parte.Entrou também o outro discípuloque chegara primeiro ao sepulcro:viu e acreditou.Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura,segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.

A Palavra


Ressuscitou


É a Páscoa do Senhor! Ressuscitou! Vive! E porque vive, enche de entusiasmo o nosso existir. Anima-nos à esperança. Anima-nos ao testemunho. Anima-nos à fé. É a festa da vida. Do encontro. Da partilha. Em Jesus ressuscitado somos convidados para o encontro com o Evangelho da verdade. Somos comunidade. Somos de Cristo. De Cristo vivo. Feliz Páscoa!

O Domingo da Ressurreição, primeiro dia da semana é o começo de uma vida nova; uma nova criação; a libertação definitiva! Tempos novos! Sentido novo! Homem novo! Maria madalena, discípula do Senhor, não se conforma com a sua ausência. Vai procurá-Lo, prestar-Lhe homenagem, movida pela força do amor! Porque procurou, apesar da noite escura da ausência e da frieza do sepulcro, constatou a novidade: o sepulcro aberto e vazio! Jesus não estava lá! Afinal, a morte não é a última realidade!

Cada Páscoa, esta Páscoa, pode ser “um primeiro dia” na nossa vida. O início de uma vida diferente, porque marcada pelo sentido novo da Ressurreição. Apesar do escuro da nossa pouca fé, apesar do escuro de uma cultura do evidente e palpável, somos convidados à experiência de vislumbrar sinais de ressurreição anunciadores de uma vida nova! Com e como Maria Madalena e todos os apaixonados pelo Senhor, deixemo-nos mover pela fé e pela sede de Deus! Procuremos o Senhor vivo em nós, nos nossos ambientes, na Igreja, no mundo! Ele está vivo entre nós!

“Disseram-nos, Senhor, que estavas morto há três dias, guardado por soldados, e que ninguém podia remover a pedra do sepulcro! …surpreendido, o mundo viu nascer o dia do Senhor.
Não há ressurreição sem haver morte, nem triunfo se não houver batalha: saibamos nós morrer em cada dia e ser o homem novo!”(da liturgia do tempo pascal- Hino de laudes)

Maria Madalena deixa-se tocar pela novidade do túmulo vazio! Corre a levar a mensagem e partilha o facto com os discípulos mais próximos do Mestre. Não sabe ainda o que aconteceu! Apenas testemunha o vazio do sepulcro. Antevê algo de grandioso que não pode guardar para si. Não se fecha ou intimida; mas corre, comunica, para que outros que partilhavam com ela a dor da morte de Jesus possam gozar deste momento de esperança!

Também pela nossa vida e pelo nosso mundo correm mensageiros do Senhor, anunciadores do “sepulcro vazio”, da vitória do amor e da vida. Gente que O procura de coração, que chora e sofre a Sua ausência, que lamenta o lugar que não Lhe é dado! Vamos nós acolher estes mensageiros da Ressurreição. E, consequentemente, seremos também outros mensageiros que correm a levar a mesma notícia, a mesma experiência aos nossos familiares, amigos, colegas, a conhecidos e desconhecidos! Sejamos mensageiros do Senhor ressuscitado, com a vida e com a palavra.

“Testemunhas da Verdade, não podeis ficar calados: ide proclamar bem alto o Senhor ressuscitado.
Sois na terra a luz de Cristo, vós que fostes baptizados: o nosso mundo tem sede das águas da vida eterna.
Jesus Cristo é a Passagem para um mundo de esperança: com Jesus Ressuscitado, em vós nasce o homem novo” (da liturgia do tempo pascal- Hino a hora intermédia)

Numa conversa, num encontro, num SMS, num e-mail…vou ser mensageiro da vitória do amor, mensageiro da Ressurreição do Senhor, expressão da Sua presença viva em mim e entre nós.


Padre Amaro Jorge scj

Para Meditar


Um Cachorrinho
Diante de uma montra atractiva, um menino pergunta o preço dos filhotes de cachorro que estão à venda. “Entre 30 e 50 €”, respondeu o dono da loja. O menino puxou por uns trocos do bolso e disse: “Eu só tenho 2,37 €, mas eu posso ver os filhotes?” O dono da loja sorriu e chamou Lady, que veio correndo, seguida de cinco bolinhas de pêlo. Um dos cachorrinhos vinha mais atrás, mancando de forma visível. Imediatamente o menino apontou aquele cachorrinho e perguntou? “O que é que há com ele?” O dono da loja explicou que o veterinário tinha examinado e descoberto que ele tinha um problema na junta do quadril, sempre iria mancar e andaria devagar. O menino se animou e disse: “Esse é o cachorrinho que eu quero comprar!” O dono da loja respondeu: “Não, tu não vais querer comprar esse. Se realmente quiseres ficar com ele, eu dou-te de presente”. O menino ficou transtornado e, olhando bem na cara do dono da loja, com seu dedo apontado, disse-lhe:: “Eu não quero que você mo dê. Aquele cachorrinho vale tanto como qualquer um dos outros e eu vou pagar tudo. Na verdade, eu dou-lhe 2,37 € agora e 50 cêntimos por mês, até completar o preço total”. O dono da loja contestou: “Tu não podes querer realmente comprar este cachorrinho. Ele nunca vai poder correr, pular e brincar contigo e com os outros cachorrinhos. Aí, o menino abaixou-se e puxou a perna esquerda das calças para cima, mostrando a sua perna com um aparelho para andar. Olhou bem para o dono da loja e respondeu: “Bom, eu também não corro muito bem e o cachorrinho vai precisar de alguém que entenda isso”.

03 abril, 2009

A Mensagem nº 68 de 05 de Abril de 2009


Reflectindo



• Celebrar a paixão e a morte de Jesus é abismar-se na contemplação de um Deus a quem o amor tornou frágil… Por amor, Ele veio ao nosso encontro, assumiu os nossos limites e fragilidades, experimentou a fome, o sono, o cansaço, conheceu a mordedura das tentações, experimentou a angústia e o pavor diante da morte; e, estendido no chão, esmagado contra a terra, atraiçoado, abandonado, incompreendido, continuou a amar. Desse amor resultou vida plena, que Ele quis repartir connosco “até ao fim dos tempos”: esta é a mais espantosa história de amor que é possível contar; ela é a boa notícia que enche de alegria o coração dos crentes.• Contemplar a cruz onde se manifesta o amor e a entrega de Jesus significa assumir a mesma atitude que Ele assumiu e solidarizar-Se com aqueles que são crucificados neste mundo: os que sofrem violência, os que são explorados, os que são excluídos, os que são privados de direitos e de dignidade… Olhar a cruz de Jesus significa denunciar tudo o que gera ódio, divisão, medo, em termos de estruturas, valores, práticas, ideologias; significa evitar que os homens continuem a crucificar outros homens; significa aprender com Jesus a entregar a vida por amor… Viver deste jeito pode conduzir à morte; mas o cristão sabe que amar como Jesus é viver a partir de uma dinâmica que a morte não pode vencer: o amor gera vida nova e introduz na nossa carne os dinamismos da ressurreição.• Um dos elementos mais destacados no relato marciano da paixão é a forma como Jesus Se comporta ao longo de todo o processo que conduz à sua morte… Ele nunca Se descontrola, nunca recua, nunca resiste, mas mantém-Se sempre sereno e digno, enfrentando o seu destino de cruz. Tal não significa que Jesus seja um herói inconsciente a quem o sofrimento e a morte não assustam, ou que Ele Se coloque na pele de um fraco que desistiu de lutar e que aceita passivamente aquilo que os outros Lhe impõem… A atitude de Jesus é a atitude de quem sabe que o Pai Lhe confiou uma missão e está decidido a cumprir essa missão, custe o que custar. Temos a mesma disponibilidade de Jesus para escutar os desafios de Deus e a mesma determinação de Jesus em concretizar esses desafios no mundo?• A “angústia” e o “pavor” de Jesus diante da morte, o seu lamento pela solidão e pelo abandono, tornam-n’O muito “humano”, muito próximo das nossas debilidades e fragilidades. Dessa forma, é mais fácil identificarmo-nos com Ele, confiar n’Ele, segui-l’O no seu caminho do amor e da entrega. A humanidade de Jesus mostra-nos, também, que o caminho da obediência ao Pai não é um caminho impossível, reservado a super-heróis ou a deuses, mas é um caminho de homens frágeis, chamados por Deus a percorrerem, com esforço, o caminho que conduz à vida definitiva.• A solidão de Jesus diante do sofrimento e da morte anuncia já a solidão do discípulo que percorre o caminho da cruz. Quando o discípulo procura cumprir o projecto de Deus, recusa os valores do mundo, enfrenta as forças da opressão e da morte, recebe a indiferença e o desprezo do mundo e tem de percorrer o seu caminho na mais dramática solidão. O discípulo tem de saber, no entanto, que o caminho da cruz, apesar de difícil, doloroso e solitário, não é um caminho de fracasso e de morte, mas é um caminho de libertação e de vida plena.• A figura do jovem que, no jardim das Oliveiras, deixou o lençol que o cobria nas mãos dos soldados e fugiu pode ser figura do discípulo que, amedrontado e desiludido, abandonou Jesus. Já alguma vez virámos as costas a Jesus e ao seu projecto, seduzidos por outras propostas? O que é que nos impede, por vezes, de nos mantermos fiéis ao projecto de Jesus?


( In página dos Dehonianos )

Quem é Jesus ?




QUEM É JESUS ?
Para o cego, Jesus é luz.Para o faminto, Jesus é o pão.Para o sedento, Jesus é a fonte.Para o morto, Jesus é a vida.Para o enfermo, Jesus é a cura.Para o prisioneiro, Jesus é a liberdade.Para o solitário, Jesus é o companheiro.Para o mentiroso, Jesus é a Verdade.Para o viajante, Jesus é o caminho.Para o visitante, Jesus é a porta.Para o sábio, Jesus é a sabedoria.Para a medicina, Jesus é o médico dos médicos.Para o réu, Jesus é o advogado. Para o advogado, Jesus é o Juiz.Para o Juiz , Jesus é a justiça. Para o cansado, Jesus é o alívio.Para o medroso, Jesus é a coragem.Para o agricultor, Jesus é a árvore que dá fruto.Para o pedreiro, Jesus é a pedra principal.Para o jardineiro, Jesus é a rosa de Sharon.Para o floricultor, Jesus é o lírio dos vales.Para o tristonho, Jesus é a alegria.Para o leitor, Jesus é a palavra. Para o pobre, Jesus é o tesouro. Para o devedor, Jesus é o perdão.Para o aluno, Jesus é o MESTRE.Para o professor, Jesus é o mestre.Para o fraco, Jesus é a força.Para o forte, Jesus é o vigor.Para o inquilino, Jesus é a morada.Para o incrédulo, Jesus é a prova.Para o fugitivo, Jesus é o esconderijo.Para o obstinado, Jesus é o conselheiro.Para o navegante, Jesus é o capitão.Para a ovelha, Jesus é o bom pastor.Para o problemático, Jesus é a solução.Para o holocausto, Jesus é o cordeiro.Para o sábado/o domingo, Jesus é o Senhor.Para o astrônomo, Jesus é a estrela da manhã.Para os magos, Jesus é a estrela do oriente.Para o mundo, Jesus é o salvador.Para Judas, Jesus é inocente.Para os demônios, Jesus é o santo de Deus. Para o tempo, Jesus é o relógio de Deus.Para o relógio, Jesus é a última hora.Para Israel, Jesus é o Messias.Para as nações, Jesus é o desejado.Para a Igreja, Jesus é o noivo amado.Para o vencedor, Jesus é a coroa.Para a gramática, Jesus é o verbo.




E PARA VOCÊ, QUEM É JESUS ?

Para Meditar


O peso da cruz
Um homem – cheio de fé cristã – fez um pedido e prometeu que carregaria uma cruz sobre os seus ombros, até a cidade mais próxima, afim de obter a graça. O nosso Amigo comprou madeira, fez a sua cruz e iniciou a jornada. Quando ia a meio do caminho, quase já sem forças e com os ombros ensanguentados, parou num vilarejo e viu uma pequena carpintaria que anunciava fabricar cruzes. Entrou e perguntou ao proprietário:- O senhor faz trocas?O fabricante, quase sem pensar, respondeu-lhe que não era habitual mas, dependendo das circunstâncias, poderiam fazer trocas.O nosso cristão disse:- É que eu já não consigo aguentar o peso da minha cruz e, se não se importa, gostaria de experimentar algumas das suas...O fabricante concordou e o nosso Amigo começou a deambular pela fábrica experimentando cruzes e mais cruzes… umas eram mais pesadas, outras eram muito grandes e vistosas, outras ainda eram muito pequenas e outras havia que apesar de serem leves, não encaixavam perfeitamente nos ombros….Passado um bom par de horas o homem gritou:- Achei finalmente! Encontrei a cruz ideal! Quanto lhe devo meu bom amigo?O fabricante, que tinha acompanhado toda a procura do cristão, responde-lhe com voz suave e com um pequeno sorriso:- Você não me deve nada meu amigo... O cristão interrompe-o e diz-lhe, ainda eufórico:- Ora essa? Eu não estou a entender, porque o senhor teve trabalho e eu tenho que remunerá-lo por isso!O fabricante, ainda com o sorriso no rosto, diz:- Amigo, cada um tem a cruz que deve carregar e Deus sabe bem o peso que cada uma delas deve ter. Quando você começou a experimentar cruzes, deixou de lado a sua e, no meio da confusão e da procura na minha fábrica, você acabou por optar por esta cruz que, simplesmente, é a cruz que você trazia apoiada nos seus ombros quando aqui chegou...
Caríssimos Amigos...Às vezes também acontece o mesmo connosco e nem precisamos fazer promessas. Há pessoas que se queixam da (cruz da) vida e vão fazendo incessantes buscas na ansia de encontrarem outras cruzes mais ajustadas, experimentando até outras mais leves, mais pequenas ou mais belas, às quais nunca se irão adaptar. Outras vezes essas buscas distraídas não nos deixam ser agradecidos pela ajuda que vamos recebendo dos “cireneus” que estão ao nosso lado e nos ajudam a suportar o peso da nossa cruz ao longo da jornada: o cireneu pai ou mãe, esposa ou marido, o cireneu Amigo... Eu tenho plena certeza de que o “fabricante” nos deixa escolher e até, às vezes, experimentar outras cruzes para no final acabarmos por aceitar com a ajuda dos “cireneus” suportar o peso (muito ou pouco) da nossa cruz – Ele também a aceitou!Antes que a jornada acabe, saibamos agradecer a ajuda que gratuitamente recebemos para suportar a cruz de todos os dias...A todos, uma Santa Páscoa.

01 abril, 2009

A Mensagem nº 67 de 29 de Março de 2009




EVANGELHO Jo 12. 20-33
Naquele tempo, alguns gregos que tinham vindo a Jerusalém para adorar nos dias da festa, foram ter com Filipe, de Betsaida da Galileia, e fizeram-lhe este pedido:
«Senhor, nós queríamos ver Jesus». Filipe foi dizê-lo a André; e então André e Filipe foram dizê-lo a Jesus. Jesus respondeu-lhes:
«Chegou a hora em que o Filho do homem vai ser glorificado. Em verdade, em verdade vos digo:
Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto.
Quem ama a sua vida, perdê-la-á, e quem despreza a sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna. Se alguém Me quiser servir, que Me siga, e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo. E se alguém Me servir, meu Pai o honrará. Agora a minha alma está perturbada. E que hei-de dizer? Pai, salva-Me desta hora? Mas por causa disto é que Eu cheguei a esta hora. Pai, glorifica o teu nome».
Veio então do Céu uma voz que dizia:
«Já O glorifiquei e tornarei a glorificá-l’O». A multidão que estava presente e ouvira dizia ter sido um trovão.
Outros afirmavam: «Foi um Anjo que Lhe falou». Disse Jesus:
«Não foi por minha causa que esta voz se fez ouvir; foi por vossa causa.
Chegou a hora em que este mundo vai ser julgado. Chegou a hora em que vai ser expulso o príncipe deste mundo. E quando Eu for elevado da terra, atrairei todos a Mim».
Falava deste modo, para indicar de que morte ia morrer.

Para Meditar


A Atitude é Tudo!

Na vida temos que ter atitude.
O João era o tipo de homem que qualquer pessoa gostaria de conhecer. Estava sempre de bom humor e tinha sempre qualquer coisa de positivo para dizer.
Se alguém lhe perguntasse como estava, a resposta seria logo: - Cada dia melhor ... !!!
Era um gerente especial, os empregados seguiam-no de restaurante em restaurante, só por causa da sua atitude. Era um motivador nato: se um colaborador tinha um mau dia, o João dizia-lhe sempre para ver o lado positivo da situação.
Fiquei tão curioso com o seu estilo de vida. que um dia perguntei-lhe: - João, como podes ser uma pessoa tão positiva o tempo todo? Como é que consegues isso? Respondeu-me: - Cada manhã, ao acordar, digo para mim mesmo: "João, hoje tens duas escolhas, podes ficar de bom humor ou de mau humor, e escolho ficar de bom humor." Cada vez que algo de mau acontece, posso escolher fazer-me de vítima ou aprender alguma coisa com o ocorrido: escolho aprender algo. Sempre que alguém reclama, posso escolher aceitar a reclamação ou mostrar o lado positivo da vida. Nunca mais me esqueci do que o João me disse, e lembrava-me sempre dele quando fazia uma escolha.
Anos mais tarde soube que o João cometera um erro, deixando pela manhã a porta de serviço aberta, e foi surpreendido por assaltantes. Dominado, enquanto tentava abrir o cofre, a mão, tremendo com o nervosismo, desfez a combinação do segredo. Os ladrões entraram em pânico, dispararam e atingiram-no. Por sorte, foi encontrado a tempo de ser socorrido e levado para um hospital.Depois de 18 horas de cirurgia e semanas de tratamento intensivo, teve alta, ainda com fragmentos de balas alojadas no corpo.
Encontrei-o mais ou menos por acaso passado um tempo, e quando lhe perguntei como estava, logo me respondeu com o seu habitual ar bem disposto: - Óptimo, se melhorar estraga!
Contou-me o que tinha acontecido, e perguntou se queria ver as suas cicatrizes. Recusei-me a ver os seus ferimentos, mas perguntei-lhe o que lhe tinha passado pela cabeça na ocasião do assalto.- A primeira coisa que pensei foi que devia ter trancado a porta das traseiras. Respondeu: - Então, deitado no chão, ensanguentado, lembrei-me que tinha duas escolhas: poderia viver ou morrer. Escolhi viver!! - Não tiveste medo? -perguntei- Olha, os paramédicos foram óptimos, diziam-me que tudo ia dar certo e que eu ia ficar bom. Mas quando cheguei à sala de emergência e vi a expressão dos médicos e enfermeiras, fiquei apavorado: nas expressões deles eu lia claramente: Esse aí já era...- Decidi que tinha de fazer algo. - E o que fizeste?? perguntei:
- Bem, havia uma enfermeira que fazia muitas perguntas. Perguntou-me se eu era alérgico a alguma coisa. Eu respondi que sim. Todos pararam para ouvir a minha resposta. Tomei fôlego e gritei: "Sou alérgico a balas!!" Entre a risota geral, disse-lhes: "Eu escolho viver, operem-me como um ser vivo, não como um morto!!" O João sobreviveu graças à persistência dos médicos, mas, também graças à sua atitude. Aprendi que todos os dias temos a opção de viver plenamente e tomar decisões, pois serão essas atitudes que trarão benefícios agora e para a eternidade.
Afinal de contas ...... A ATITUDE É TUDO

21 março, 2009

A Mensagem nº 66 de 22 de Março de 2009


EVANGELHO Jo 3. 14-21


Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos:
«Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna.
Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem acredita n’Ele não é condenado, mas quem não acredita já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigénito de Deus. E a causa da condenação é esta:
a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque eram más as suas obras.
Todo aquele que pratica más acções odeia a luz e não se aproxima dela, para que as suas obras não sejam denunciadas.
Mas quem pratica a verdade aproxima-se da luz, para que as suas obras sejam manifestas, pois são feitas em Deus.

Reflectindo

Na reflexão, considerar os seguintes pontos:• João é o evangelista abismado na contemplação do amor de um Deus que não hesitou em enviar ao mundo o seu Filho, o seu único Filho, para apresentar aos homens uma proposta de felicidade plena, de vida definitiva; e Jesus, o Filho, cumprindo o mandato do Pai, fez da sua vida um dom, até à morte na cruz, para mostrar aos homens o “caminho” da vida eterna… O Evangelho deste domingo convida-nos a contemplar, com João, esta incrível história de amor e a espantar-nos com o peso que nós – seres limitados e finitos, pequenos grãos de pó na imensidão das galáxias – adquirimos nos esquemas, nos projectos e no coração de Deus.• O amor de Deus traduz-se na oferta ao homem de vida plena e definitiva. É uma oferta gratuita, incondicional, absoluta, válida para sempre e que não discrimina ninguém. Aos homens – dotados de liberdade e de capacidade de opção – compete decidir se aceitam ou se rejeitam o dom de Deus. Às vezes, os homens acusam Deus pelas guerras, pelas injustiças, pelas arbitrariedades que trazem sofrimento e morte que pintam as paredes do mundo com a cor do desespero… O nosso texto, contudo, é claro: Deus ama o homem e oferece-lhe a vida. O sofrimento e a morte não vêm de Deus, mas são o resultado das escolhas erradas feitas pelo homem que se obstina na auto-suficiência e que prescinde dos dons de Deus.• Neste texto, João define claramente o caminho que todo o homem deve seguir para chegar à vida eterna: trata-se de “acreditar” em Jesus. “Acreditar” em Jesus não é uma mera adesão intelectual ou teórica a certas verdades da fé; mas é escutar Jesus, acolher a sua mensagem e os seus valores, segui-l’O nesse caminho do amor e da entrega ao Pai e aos irmãos. Passa pelo ser capaz de ultrapassar a indiferença, o comodismo, os projectos pessoais e pelo empenho em concretizar, no dia a dia da vida, os apelos e os desafios de Deus; passa por despir o egoísmo, o orgulho, a auto-suficiência, os preconceitos, para realizar gestos concretos de dom, de entrega, de serviço que tragam alegria, vida e esperança aos irmãos que caminham lado a lado connosco. Neste tempo de caminhada para a Páscoa, somos convidados a converter-nos a Jesus e a percorrer o mesmo caminho de amor total que Ele percorreu.• Alguns cristãos vivem obcecados e assustados com esse momento final em que Deus vai julgar o homem, depois de pesar na balança as suas acções boas e as suas acções más… João garante-nos que Deus não é um contabilista, a somar os débitos e os créditos do homem para lhes pagar em conformidade… O cristão não vive no medo, pois ele sabe que Deus é esse Pai cheio de amor que oferece a todos os seus filhos a vida eterna. Não é Deus que nos condena; somos nós que escolhemos entre a vida eterna que Deus nos oferece ou a eterna infelicidade.
(In Eclésia)

Para Meditar




(História Brasileira)

O Bem-aventurado João Haroldo narra a história de um homem que vivia continuamente em pecado mortal.

Sua mulher, pessoa de angélica piedade, não podendo conseguir que ele mudasse de vida, obteve, à força de pedidos e súplicas, que rezasse uma Ave-Maria cada vez que encontrasse na estrada uma imagem da Santíssima Virgem. Mais por agradar do que por devoção, aquele desgraçado prometeu e cumpriu sua promessa.Um dia, quando ia para uma orgia, viu brilhar uma luz a pouca distância. Aproximou-se, como que impelido por mão invisível e misteriosa, e logo se lhe deparou uma estátua de Maria com Jesus nos braços. Segundo o seu costume, rezou a Ave-Maria. Mas quando ia acabar, reparou que o Menino Jesus estava coberto de feridas, das quais o sangue corria abundantemente. E pensou:— Ai de mim! São meus pecados que abriram estas chagas em meu divino Redentor.Estas reflexões arrancaram-lhe dos olhos lágrimas amargas. Mas o Menino Jesus desviou dele seu olhar. Então o pecador, com grande vergonha e confusão, dirigiu-se a Maria:— Mãe de misericórdia, vosso Filho me rejeita. Intercedei por mim, pois vós sois meu único refúgio.— Oh! Pecador ingrato! — respondeu-lhe Maria. — Chamais-me de mãe de misericórdia e me tornais a mais miserável das mães, renovando a Paixão de meu Filho e as angústias que nela sofri.Contudo, como Maria não pode despedir ninguém sem consolação, pôs-se a pedir a seu Filho por aquele pecador contrito. Jesus mostrava-se pouco disposto a perdoar. Então a Virgem compassiva, depondo o Menino Jesus no chão e ajoelhando-se a seus pés, disse:— Oh! Meu Filho! Não me levantarei enquanto não houver obtido o perdão para este infeliz.— Minha Mãe, nada posso negar-vos. Que este pecador chegue-se mais perto e venha beijar minhas chagas.Aquele homem, derramando lágrimas e arrebatado pela gratidão, aproximou-se do Divino Menino, cujas chagas se fechavam à medida que ele ia encostando nelas os lábios. Jesus dignou-se abraçá-lo, como sinal de reconciliação.A conversão daquele pobre pecador foi sincera e duradoura. Passou ele o resto da vida na prática de todas as virtudes cristãs e salientou-se por uma afetuosa gratidão para com Aquela que lhe restituíra, por um modo tão imprevisto, a amizade de seu Deus.
(Fonte: "Maria ensinada à mocidade" - Livraria Francisco Alves, Rio, 1915) narra a história de um homem que vivia continuamente em pecado mortal.Sua mulher, pessoa de angélica piedade, não podendo conseguir que ele mudasse de vida, obteve, à força de pedidos e súplicas, que rezasse uma Ave-Maria cada vez que encontrasse na estrada uma imagem da Santíssima Virgem. Mais por agradar do que por devoção, aquele desgraçado prometeu e cumpriu sua promessa.Um dia, quando ia para uma orgia, viu brilhar uma luz a pouca distância. Aproximou-se, como que impelido por mão invisível e misteriosa, e logo se lhe deparou uma estátua de Maria com Jesus nos braços. Segundo o seu costume, rezou a Ave-Maria. Mas quando ia acabar, reparou que o Menino Jesus estava coberto de feridas, das quais o sangue corria abundantemente. E pensou:— Ai de mim! São meus pecados que abriram estas chagas em meu divino Redentor.Estas reflexões arrancaram-lhe dos olhos lágrimas amargas. Mas o Menino Jesus desviou dele seu olhar. Então o pecador, com grande vergonha e confusão, dirigiu-se a Maria:— Mãe de misericórdia, vosso Filho me rejeita. Intercedei por mim, pois vós sois meu único refúgio.— Oh! Pecador ingrato! — respondeu-lhe Maria. — Chamais-me de mãe de misericórdia e me tornais a mais miserável das mães, renovando a Paixão de meu Filho e as angústias que nela sofri.Contudo, como Maria não pode despedir ninguém sem consolação, pôs-se a pedir a seu Filho por aquele pecador contrito. Jesus mostrava-se pouco disposto a perdoar. Então a Virgem compassiva, depondo o Menino Jesus no chão e ajoelhando-se a seus pés, disse:— Oh! Meu Filho! Não me levantarei enquanto não houver obtido o perdão para este infeliz.— Minha Mãe, nada posso negar-vos. Que este pecador chegue-se mais perto e venha beijar minhas chagas.Aquele homem, derramando lágrimas e arrebatado pela gratidão, aproximou-se do Divino Menino, cujas chagas se fechavam à medida que ele ia encostando nelas os lábios. Jesus dignou-se abraçá-lo, como sinal de reconciliação.A conversão daquele pobre pecador foi sincera e duradoura. Passou ele o resto da vida na prática de todas as virtudes cristãs e salientou-se por uma afetuosa gratidão para com Aquela que lhe restituíra, por um modo tão imprevisto, a amizade de seu Deus.
(Fonte: "Maria ensinada à mocidade" - Livraria Francisco Alves, Rio, 1915)

16 março, 2009

A Mensagem nº 65 de 15 de Março de 2009


EVANGELHO Jo 2, 13-25


Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. Encontrou no templo os vendedores de bois, de ovelhas e de pombas e os cambistas sentados às bancas. Fez então um chicote de cordas e expulsou-os a todos do templo, com as ovelhas e os bois; deitou por terra o dinheiro dos cambistas e derrubou-lhes as mesas; e disse aos que vendiam pombas:
«Tirai tudo isto daqui; não façais da casa de meu Pai casa de comércio». Os discípulos recordaram-se do que estava escrito:
«Devora-me o zelo pela tua casa». Então os judeus tomaram a palavra e perguntaram-Lhe:
«Que sinal nos dás de que podes proceder deste modo?» Jesus respondeu-lhes:
«Destruí este templo e em três dias o levantarei». Disseram os judeus:
«Foram precisos quarenta e seis anos para se construir este templo e Tu vais levantá-lo em três dias?»
Jesus, porém, falava do templo do seu corpo. Por isso, quando Ele ressuscitou dos mortos, os discípulos lembraram-se do que tinha dito e acreditaram na Escritura e nas palavras que Jesus dissera. Enquanto Jesus permaneceu em Jerusalém pela festa da Páscoa, muitos, ao verem os milagres que fazia, acreditaram no seu nome.
Mas Jesus não se fiava deles, porque os conhecia a todos e não precisava de que Lhe dessem informações sobre ninguém:
Ele bem sabia o que há no homem.

A Palavra



Costumamos limpar frequentemente as nossas casas. Assim, de vez em quando sentimos a necessidade de uma limpeza geral... lavamos as paredes... o tecto... os vidros... para tirar o mofo que foi se acumulando...


A Quaresma também é um tempo de purificação propício para renovar nossa vida cristã e purificar o nosso coração daquelas impurezas que foram se acumulando ao longo do tempo.
As leituras bíblicas tratam de dois pontos fundamentais da religião judaica: a Lei de Deus e o Templo, que, com o passar do tempo, também estavam a precisar de uma purificação...
Na 1a Leitura Deus proclama a LEI, como parte de uma Aliança.


- É um momento fundamental na história da Salvação. Deus apresenta-se desde o começo como Libertador:"Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou da escravidão do Egipto"
Os 10 mandamentos brotavam do amor de um Deus "Libertador", que depois de ter libertado seu povo da escravidão material do Egito, queria libertá-lo também da escravidão moral das paixões e do pecado.


- Os Mandamentos indicavam o caminho seguro para ser feliz e ser o Povo da Aliança, colaborador de Deus no Plano da Salvação…
- Mas Israel não foi fiel a esse compromisso: muitos abusos e desvios esvaziaram o verdadeiro sentido do decálogo…


- Era necessário restaurar a antiga Lei, completá-la, aperfeiçoá-la…sobretudo no sentido do amor e da interioridade…libertando-a de todo formalismo.
Os 10 Mandamentos não são toda a Lei, apontam para o mínimo indispensável.
Precisava uma NOVA ALIANÇA… É o que Cristo veio realizar:
"Não vim suprimir a Lei… mas completar, aperfeiçoar…"


Na 2ª Leitura, São Paulo sugere uma conversão à lógica de Deus.Seu projeto de Salvação passa pela morte na cruz."Nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e
loucura para os gentios" (1Cor 1,22-25)


No Evangelho, Jesus se apresenta como o novo TEMPLO… (Jo 2,13-25)


O Templo era um lugar muito sagrado para os judeus. Todo judeu devia ir ao templo ao menos uma vez por ano para oferecer um sacrifício a Deus.
Estas ofertas para os sacrifícios faziam girar muito dinheiro... e provocavam abusos e exploração.
O gesto ousado de Cristo não é apenas zelo de purificação do templo.
É o grande sinal da morte e Ressurreição de Jesus. É anúncio da abolição do velho templo e do culto aí celebrado. O antigo templo já tinha concluído a sua função.
Surgirá um novo templo.


Jesus é agora o "lugar" onde Deus reside, onde se encontra com os homens.
É através de Jesus que o Pai oferece aos homens o seu amor e a sua vida.
Nós somos as pedras vivas desse Novo Templo.
- O nosso testemunho é sinal de Deus para os irmãos que caminham connosco?
- As nossas comunidades dão testemunho da vida de Deus?
- Qual é o verdadeiro "Culto" que Deus aprecia?
Certamente é uma vida vivida na escuta de suas propostas e traduzida em gestos concretos de doação, de entrega, de serviço simples e humilde aos irmãos.
- Jesus purificou o templo de seus profanadores e convida-nos a purificar também o templo do nosso coração…


A Campanha da Fraternidade lembra-nos outro templo sagrado, muitas vezes profanado pela VIOLÊNCIA, ou pela ganância dos "vendilhões" de hoje.
A Pessoa humana é esse lugar sagrado, onde Deus quer ser respeitado…


Padre Amaro Jorge scj

Para Meditar


A águia e a renovação

A águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie.Chega a viver 70 anos. Mas, para chegar a essa idade, aos 40 anos ela tem que tomar uma séria e difícil decisão. Aos 40 anos está com as unhas compridas e flexíveis, não consegue mais agarrar as suas presas das quais se alimenta. O bico alongado e pontiagudo curva-se. Apontando contra o peito estão as asas, envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas, e voar já é muito difícil! Então, a águia só tem duas alternativas: morrer... ou ...enfrentar um dolorido processo de renovação que irá durar 150 dias. Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e se recolher num ninho próximo a um paredão onde ela nãonecessite voar. Então, após encontrar esse lugar, a águia começa a bater com o bico numa parede até conseguir arrancá-lo, sem contar a dor que irá ter que suportar. Após arrancá-lo, espera nascer um novo bico, com o qual vaidepois arrancar as suas velhas unhas. Quando as novas unhas começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas. E só após cinco meses sai para o famoso vôo de renovação e para viver então mais 30 anos. Na nossa vida, muitas vezes, temos de nos resguardar por algum tempo e começar um processo de renovação.Para que continuemos a voar um vôo de vitória, devemos nosdesprender de lembranças, costumes, e, outras tradições que nos causam dor.

Somente livres do peso do passado, poderemos aproveitar o resultado valioso que uma renovação sempre traz

08 março, 2009

A Mensagem nº 64 de 08-03-2009


EVANGELHO Mc 9, 2-10


Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e subiu só com eles para um lugar retirado num alto monte e transfigurou-Se diante deles. As suas vestes tomaram-se resplandecentes, de tal brancura que nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia assim branquear. Apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus. Pedro tomou a palavra e disse a Jesus:
«Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas:
uma para Ti, outra para Moisés, outra para Elias». Não sabia o que dizia, pois estavam atemorizados. Veio então uma nuvem que os cobriu com a sua sombra e da nuvem fez-se ouvir uma voz:
«Este é o meu Filho muito amado: escutai-O». De repente, olhando em redor, não viram mais ninguém, a não ser Jesus, sozinho com eles. Ao descerem do monte, Jesus ordenou-lhes que não contassem a ninguém o que tinham visto, enquanto o Filho do homem não ressuscitasse dos mortos. Eles guardaram a recomendação, mas perguntavam entre si o que seria ressuscitar dos mortos.

A Palavra

"Escutai-o"
As leituras bíblicas de hoje nos apresentam dois exemplos na CAMINHADA DA FÉ: a fé de Abraão e a fé dos Apóstolos.
A 1a Leitura fala da fé de Abraão.
A narrativa faz parte das "tradições patriarcais", sem caráter histórico. Destina-se a apresentar Abraão como MODELO DE FÉ:
- O chamamento: "Sai de tua terra, vai... farei de ti o pai de um grande povo..."
- Ele parte para o desconhecido... apoiado apenas na palavra de Deus...
- Prova sua fé, sobretudo no dramático sacrifício de Isaac...
Ele soube ESCUTAR Deus e seguir a sua Palavra sem condições: renunciou o PASSADO, quando deixou sua terra e sua gente; agora estava disposto a sacrificar também o FUTURO, oferecendo o filho Isaac, depositário das promessas. Percebe o plano de Deus e o segue de todo o coração.
Sua obediência tornou-se uma fonte de vida para ele, para a sua família e para todos os povos...
Na 2a Leitura, São Paulo retoma a figura de Isaac, subindo o monte Moriá, com a lenha do sacrifício às costas, como imagem de Cristo que também sobe o monte Calvário, carregando às costas o lenho da Cruz.
O fundamento da nossa fé é o amor fiel e incondicional.
O Evangelho fala da fé dos Apóstolos:
Na caminhada para Jerusalém, o 1º Anúncio da Paixão e Morte de Jesus abalou profundamente a fé dos apóstolos. Desmoronaram seus planos de glória e de poder.
Para fortalecer essa fé ainda tão frágil… Cristo subiu ao Monte Tabor e "transfigurou-se…"
- Proposta de Pedro: "É bom estar aqui! Vamos fazer três tendas..."
- Proposta de Deus: "Este é o meu Filho amado, ESCUTAI-O!".
Ao transfigurar-se aos discípulos, Jesus revela a glória da Ressurreição, e atesta que ele é o FILHO AMADO DE DEUS, apesar da Cruz que se aproxima.
Na nossa caminhada para a Páscoa,
somos também convidados a subir com Jesus a montanha e, na companhia dos 3 discípulos, viver a alegria da comunhão com ele. As dificuldades da caminhada não podem nos desanimar.
No meio dos conflitos, o Pai mostra-nos desde já sinais da ressurreição e do alto daquele monte ele continua a gritar:
"Este é o meu Filho amado, ESCUTAI-O".
Tu tens fé? O que é ter fé? O que é mesmo a fé? É apenas uma aceitação de algumas verdades, que decoramos na catequese? É mais...
A FÉ É:
É acolher Deus que quer fazer a sua história na nossa história
É fazer a vontade de Deus... (tanto no Tabor, como no Calvário)
É um Dom gratuito de Deus (Não foi Abraão que tomou a iniciativa)
A FÉ EXIGE:
Uma Resposta da pessoa a uma palavra, a uma Promessa...
Um Serviço pronto e generoso na Obra de Deus...
Uma Ruptura: Deixar a terra dos ídolos que nos prendem…e abraçar o desconhecido…
Escutar atentamente tudo o que Jesus diz, seguindo seus passos com confiança total, mesmo nos momentos difíceis e incompreensíveis…
Reconhecer esse Cristo desfigurado, presente na pessoa dos irmãos... sobretudo nos excluídos... nos oprimidos pela violência... É fácil reconhecer o Cristo transfigurado no Tabor…mais difícil é reconhecê-lo desfigurado no Monte Calvário… mais difícil é descer o monte, ir ao encontro do Cristo desfigurado na pessoa do irmão…

Padre Amaro Jorge scj

Para Meditar

A promessa

Jonas era um menino pobre que vivia numa pequena vila. Seu maior sonho era estudar artes na Capital.
Um dia apareceu na vila um bem sucedido homem de negócio. Ele conheceu Jonas e ficaram amigos.
Duas semanas depois o senhor de negócios foi embora, mas antes prometeu a Jonas que retornaria em breve e o levaria para estudar na Capital.
Como era um homem muito atarefado, logo se esqueceu da promessa.
Anos depois, no seu leito de morte, o senhor se lembrou do prometido, mas infelizmente era tarde demais.
Jonas não sabendo da morte do amigo, continuou esperando.
O que é uma simples promessa para quem promete, pode ser um sonho de vida para que espera.
Faça sem prometer.

02 março, 2009

A Mensagem nº 63 de 01-03-2009


EVANGELHO Mc 1, 12-15

Naquele tempo, o Espírito Santo impeliu Jesus para o deserto.
Jesus esteve no deserto quarenta dias e era tentado por Satanás.
Vivia com os animais selvagens e os Anjos serviam-n’O.
Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia
e começou a pregar o Evangelho, dizendo:
«Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus.
Arrependei-vos e acreditai no Evangelho».

A Palavra



O início deste tempo da Quaresma propõe-nos as tentações de Jesus no deserto como primeira etapa de preparação para a Páscoa. A proximidade do Reino de Deus é certeza de caminho novo a ser percorrido. O tempo oportuno é este. Não há outro tempo. Esta é a oportunidade que não pode ser desperdiçada. Por isso, “arrependei-vos e acreditai no Evangelho”.
O deserto é o lugar do encontro com Deus; foi no deserto que o Povo experimentou o amor e a solicitude de Jahwéh e foi no deserto que Jahwéh propôs a Israel uma Aliança. Contudo, o deserto é também o lugar da “prova”, da “tentação”; foi no deserto que Israel foi confrontado com opções e foi no deserto, também, que Israel sentiu, várias vezes, a tentação de escolher caminhos contrários aos propostos por Deus… O “deserto” para onde Jesus “vai” é, portanto, o “lugar” do encontro com Deus e do discernimento dos seus projectos; e é o “lugar” da prova, onde se é confrontado com a tentação de abandonar Deus e de seguir outros caminhos.
Nesse “deserto”, Jesus ficou “quarenta dias”. O número “quarenta” é bastante frequente no Antigo Testamento. Muitas vezes refere-se ao tempo da caminhada do Povo de Israel pelo deserto, desde que deixou a terra da escravidão, até entrar na terra da liberdade; mas também é usado para significar “toda a vida” (a esperança média de vida, na época, rondava os quarenta anos). Deve ser entendido com o sentido de “toda a vida” ou, então, “todo o tempo que durou a caminhada”.
Durante esse tempo, Jesus foi “tentado por Satanás”. A palavra “satanás” designava, originalmente, o adversário que, no contexto do julgamento, apresentava a acusação. Mais tarde, a palavra vai passar a designar uma personagem que integrava a corte celeste e que acusava o homem diante de Deus.
Na época de Jesus, “satanás” já não era considerado uma personagem da corte celeste, mas um espírito mau, inimigo do homem, que procurava destruir o homem e frustrar os planos de Deus. É neste sentido que ele vai aparecer aqui… “Satanás” representa um personagem que vai tentar levar Jesus a esquecer os planos de Deus e a fazer escolhas pessoais, que estejam em contradição com os projectos do Pai.

O quadro da “tentação no deserto” diz-nos que Jesus, ao longo do caminho que percorreu no meio dos homens, foi confrontado com opções, escolhas difíceis. Ele teve de escolher entre viver na fidelidade aos projectos do Pai e fazer da sua vida um dom de amor, ou seguir por um caminho de egoísmo, de poder, de orgulho. Jesus escolheu viver – de forma total, absoluta, até ao dom da vida – na obediência às propostas do Pai. Os discípulos de Jesus, os que querem ser verdadeiramente cristãos, são confrontados a toda a hora com as mesmas opções. Seguir Jesus é perceber os projectos de Deus e cumpri-los fielmente, fazendo da própria vida uma entrega de amor e um serviço aos irmãos. Estou disposto a percorrer este caminho? De certeza? Como é que o tenho feito? E isso é suficiente? Para Deus não existe a expressão: “já fiz o suficiente

Padre Amaro Jorge scj